dezembro 22, 2003

Smile 52

Existem determinados programas de televisão que têm um pequeno círculo vermelho no canto superior direito (esquerdo para quem está a ver de dentro…), que até há uns dias não me aquecia nem me arrefecia. Esse pequeno círculo não era para mim mais do que um estímulo para assistir ao programa em causa.
Quando via alguma coisa na televisão com a conhecida bolinha, era certo e sabido que a audiência ia subir pelo menos durante cinco minutos. Era uma questão de tempo até aparecer uma cena com porrada de três em pipa, gajas nuas ou acidentes, que é o que o pessoal gosta sempre de ver.
Mas eis que cometo um grande erro e descubro que afinal a bolinha serve mesmo para nos avisar que aquilo a que se vai assistir pode realmente ferir a nossa susceptibilidade. O meu erro foi ter visto, já a altas horas, o “Ou Bai Ou Rocha”!
Meu Deus…
Os primeiros dois minutos ainda me deixaram na dúvida. “Vamos lá ver o que isto dá…”, pensei eu, ingenuamente. Depois veio o choque. As náuseas, o não querer acreditar no que via, o sufoco, a sensação de impotência para sequer mudar de canal.
Foi horrível. Eu, que já tinha assistido a programas realmente pesados do ponto de vista das imagens: o massacre de Díli, os linchamentos públicos, as guerras, a Lili Caneças a apresentar programas, violações, cenas em cadeias brasileiras, assaltos em directo, e sim, uma vez eu vi o Big Brother IV, essa talvez a minha grande loucura. Bom, mas aí estava sob o efeito de drogas, por isso é que consegui aguentar até ao fim.
Mas isto?! É demais! Não é possível! Como é que uma coisa daquelas passa na televisão?! Já não há ética? Já vale tudo? Mas o pior nem é isso, porque erros todos temos o direito de cometer. Ao falar com um amigo sobre o progr…. o…..aham….bom, aquilo, ele disse-me que aquilo já estava a no ar há algum tempo!
Não posso!
Tudo bem, o Fernando Rocha até conta bem as anedotas. Algumas até ficam bastante engraçadas, contadas por ele, mas atenção. Há limites. O homem era electricista. Não é um animal televisivo. Ou melhor, é um animal televisisvo! Literalmente. E o que é que se passa com o gajo que finge que trabalha no bar? Eu acho que há ali qualquer coisa que não bate bem… A tipa que finge que é empregada é…é…quer dizer….dói. Dói ver aquelas figuras. Desculpem mas dói cá dentro. Depois vem uma kosovar fazer strip. Assim, sem mais nem menos. Do nada. Chega ali, despe-se enquanto faz acrobacias no poste e pronto. Está feito. Claro, também não estava à espera que ela a seguir desse uma conferência sobre energia nuclear, mas porquê? Porque é que ela ali aparece sem mais nem menos? Não me interpretem mal, eu gosto de ver strip. Mas aquilo não faz sentido.
Depois há os convidados. Ali estão eles, sentados no bar, a beber uma bejeca, e o outro conta uma anedota mais velha que o car….aham…muito velha, dá-lhe um aperto de mão, faz-lhe duas ou três perguntas absurdas e já está.
Devo dizer que não estava à espera disto. Não estava. Este canal até tem o “Levanta-te e Ri”, pioneiro em Portugal no género, e depois pregam com isto no ar?
Realmente, o director daquele canal deve andar muito distraído. Cá para mim ele é mesmo, nas palavras imortais do Bruno Nogueira, o senhor do bolo.
Em vez de termos o Gato Fedorento na Sic Radical, talvez se devesse dar mais atenção a esse tipo de humor e se desse uma oportunidade aos moços que realmente têm piada e se trocasse. O Gato Fedorento passava a ter um programa na SIC e o “Ou Bai Ou Rocha” passava a dar no Sic Gold, às quatro e meia da manhã, de quinze em quinze dias, só com transmissão para a ilha Terceira, dobrado em Checo. A merda era a mesma, mas ao menos não se percebia o que eles dizem…
Sim, o “Ou Bai Ou Rocha” é definitivamente um sério candidato ao primeiro lugar da tabela “Os Cinco Programas Mais Estúpidos do Mundo”.

Publicado por Pikes em dezembro 22, 2003 04:51 PM
Comentários

5, de 1 a 10.

[Escrevendo cada vez melhor, mas cuidado: está a cair na tentação da seriedade.]

Afixado por: Senhor Doutor em dezembro 23, 2003 01:35 PM